Toda cidade de praia promete pôr do sol. João Pessoa promete o contrário, e é uma promessa mais difícil de cumprir: aqui o sol chega primeiro. A cidade fica no extremo leste do continente, e o amanhecer alcança esta faixa de areia antes de qualquer outro lugar das Américas.
A lei que devolveu o sol à areia
O que mais surpreende quem chega não é o mar — é o céu. A orla de João Pessoa tem uma restrição de altura para as construções da beira-mar, pensada para que a sombra dos prédios não caia sobre a praia no fim da tarde. É uma decisão urbanística rara, tomada contra o interesse imediato de quem constrói, e ela se sente no corpo: às cinco da tarde ainda há luz na areia, não um paredão de sombra.
Uma cidade se define menos pelo que constrói do que pelo que decide não construir.
Onde o continente termina
A Ponta do Seixas é o ponto mais oriental das Américas. Acima dela, na falésia, o Farol do Cabo Branco marca o fim do continente com a sobriedade de quem não precisa anunciar nada. Vale subir de manhã cedo, quando o mirante ainda está vazio e a luz vem baixa, rasante, do lado de fora do mapa.
A curva inteira, a pé
Do Cabo Branco ao Bessa, passando por Tambaú e Manaíra, a orla se percorre inteira pela calçada. São quilômetros de caminhada contínua, com quiosque, coqueiro e ciclovia. No meio do caminho, a Estação Cabo Branco — projeto de Oscar Niemeyer inaugurado em 2008 — coloca uma curva branca sobre a falésia, de frente para o mesmo mar.
- Comece pela Ponta do Seixas, antes das sete, e desça em direção a Tambaú
- A Estação Cabo Branco abre para visitação e tem vista de falésia
- O pôr do sol não é no mar: é no Rio Jacaré, a vinte minutos do centro
- A Mata do Buraquinho, reserva urbana de mata atlântica, fica atrás da orla
É por isso que o GOA Essence Hai começa o café cedo. Não é disciplina de hotel: é a única forma de não perder a parte do dia que pertence a esta cidade.